
Os braços congelados da noite me abraçam mais uma vez. Não queima, não arde... o vazio tornou-se indiferente. Eles, no momento, não caminham mais do meu lado. Por opção ou por incoerênncia do destino, tanto faz. Só sei que não estão mais aqui. Me sinto completa com a minha própria companhia. Embora seja uma companhia solitária, é a única que possuo nesse instante perpétuo. Logo, torna-se necessidade sentir-me satisfeita ao seu lado.
Não sou mais a menina dos olhos que choram, sou a completa indiferença. Me tornei tão niilista assim? Ou apenas estou perto à ser? A execução dos valores, o estranhamento no olhar, tudo o que tenho. Mas o senso comum ainda me atrai. As belas histórias de amor ainda me dão esperanças. Apesar de não passar de filmes, que reprisam consecutivamente.
O tanto tempo que passou, era pouco. Foi embora, mas a quem devo culpar? Talvez o verbo "culpar" seja apenas um meio que todos usam para se livrar da própria insatisfação. Por não quererem aceitar que tudo é simples demais. E que nunca poderá ser tão intenso como desejam. Pelo fato de não existir eternidade.
Não sou mais a menina de olhos tristes, de expressão frágil mas continuo com o mesmo vocabulário pobre para me expressar. Algumas pessoas encontram uma certa relevância em meus textos, dizem que o nível de reflexão é absurdo. Mas na verdade não é nada demais. Talvez seja porque todos acham complexo demais dizer "Eu perdi!". Ou perceber que não existem certezas, tampouco a verdade.
Por que todos acham que podem me dizer o que é melhor pra mim? Eles nunca poderão ser como eu, pensar como eu, agir como eu. Talvez porque tenham medo. Porque acham errado agir por impulso, mas agir por impulso não quer dizer agir sem pensar. Quer dizer que eu agi porque pensei. Porque eu fiz o que tinha vontade de fazer. Não é pecado seguir meus instintos, ou minha intuição. E não é só porque não consegui o que realmente desejava que foi um erro.
Não gosto do orgulho, não gosto da cautela. Gosto de viver inconstantemente, pois a vida é inconstante... devo caminhar ao lado dela. Pensar como ela, ser como ela. Tirar proveito disso e usar como desculpa, pra dizer que fiz o que tinha de fazer. Devo nadar por cima dela, e não apenas segui-la para ver que rumo ela irá tomar. É perda de tempo.
Não gosto do seguro, o seguro é obscuro. Lhe prega peças. Sempre há buracos neste chão. Gosto de seguir pelo caminho mais difícil, ao menos sempre estarei preparada pois sei que irei tropeçar a qualquer instante. Então paradoxalmente, torna-se seguro. Pois uma pedra é sempre esperada e bem-vinda.
Voltei para o mundo sem cor e ordinário, pode parecer um pensamento egoísta mas me sinto bem dentro dele. Aprendo a lidar comigo mesma, e a dar importância ao que realmente merece tal reconhecimento. Eu, e somente eu. A única fonte de luz de meus dias.