quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Monocromático

Chega um momento de nossas vidas, onde nossos argumentos perdem a força. Onde todas nossas convicções começam a não fazer mais sentido. Onde as nossas "verdades" nos transformam em pessoas céticas. Onde nossos conceitos são reconstruídos. E é este processo um tanto espinhoso pelo qual estou passando.

É como estar em um filme antigo e monocromático. Tudo o que vê, não coincidi com a sua atual realidade, e apesar de poder distinguir cores escuras de cores claras, você não consegue ver de fato a real cor das coisas à sua volta.

O que estou tentando dizer é, estou à busca de algo que realmente faça sentido para mim. E apesar de saber de meus interesses, preciso pensar em como dar os primeiros passos. Antes lutava para ganhar espaço no mundo coletivo, hoje estou à lutar para ganhar espaço no meu próprio mundo.

domingo, 29 de agosto de 2010

Despedida Provisória

Enfim, agora é a hora. De aprender a andar com as próprias pernas. Sem se apoiar, sem titubear. E então, aceitar que a vida é assim, um processo de seleção e descarte. Que as coisas não feitas, não podem ser mudadas agora. Talvez eu tenha tido a chance, talvez não. Nunca saberei, e não faz diferença. Não deve fazer.

Talvez estarei aqui quando voltar, com outra pessoa ou comigo mesma. E talvez, o espaço que lhe permiti invadir, não exista mais. Mas adormece, as expectativas, o carisma, a consideração, o apego, a importância de cada momento. Ás vezes é possível dispertar estas coisas depois de um certo tempo, mas às vezes, elas apenas não sentem vontade de acordar. Mas é claro, sempre estarão lá.

Você ajudou a fortalecer a firmeza e o equilíbrio dos meus pés. Esse "novo eu" na qual me orgulho tanto, não existiria sem você. Agora que não estará mais por perto, a construção deste "eu" provavelmente irá fazer curvas e não seguirá o mesmo caminho caso estivesse aqui, mas tenho a absoluta certeza de que, quem sou agora sempre irá fazer parte de quem serei no meu futuro. E sempre será a mais viva Mônica entre todas as outras que já tenha existido.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Saudade

Como de costume, antes de escrever preocupo-me em escolher uma música que cante um momento na qual deparo-me no instante. Para realçar algumas ideias. Mas a indiferença com as palavras e a falta de sensibilidade ao dizê-las sugam toda e quaisquer inspiração que seja. Talvez seja porque estas palavras, já não fazem mais diferença para aquele cujo responsável é pela pronuncia das mesmas.

O céu às vezes se abre durante algumas horas do dia. E à noite as nuvens egoístas dificilmente permitem-me visualizar o brilho das estrelas. Mas meus olhos não cansam de buscar por este brilho, mesmo que por tão pouco e limitado tempo consigam o ver. Ainda faço-me a mesma pergunta toda vez que procuro proximidade com o mundo ao olhar para o céu: Será que também pensas em mim quando olhas para a imensidão deste azul?

Apesar do tempo ruim, ainda consigo visualizar uma tarde de primavera... congelada. Sempre levo esta imagem comigo, até mesmo em dias chuvosos cobertos por um céu negro pronto para descarregar tudo o que sugou dos dias anteriores em nossas cabeças.

Eu podia senti-lo por perto, mesmo que estando tão longe. Ele sempre estava comigo. Pensando em mim, fazendo-se a mesma pergunta toda vez que olhava para o céu. Hoje, já não o sinto mais do meu lado. Só o que há, é um lugar vazio à minha esquerda. E então, o mundo voltou a ser como era antes.
Mas uma característica foi acrescentada nesse meu velho mundo... a saudade.

Não sinto mais o sabor da vida, tampouco a textura das cores. Com ele, tudo costumava estar tão perto, tudo era tangível, tudo estava em meu alcance. Aquela voz, era a única capaz de aguçar meus sentidos, meus desejos. Aqueles olhos, eram os únicos capazes de tanger minha alma. Aquele afago, era o único capaz de me guiar ao paraíso. O corpo dele era uma extensão do meu. Apenas ele podia me trazer maravilhas de um mundo intenso, onde o sentido de viver predonima, nele a única razão para o amor é a existência. Mundo este, incapaz de existir sem estarmos juntos. Realmente, éramos um. E com os nossos defeitos, éramos perfeitos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Carta

Escrevi uma carta, não é para quem eu esperava que fosse. Tentei escrevê-la com uma letra razoavelmente bonita, mas por mais que eu tente, a minha letra sempre parece a letra de um menino. Com o pulso firme e o dedo indicador apoiando a caneta no papel, eu transmitia para o espaço amarelado de folha reciclada meus sentimentos, minhas angustias e meu arrependimento. Não sei ao certo se arrependimento é a palavra, mas sinto que deixei de fazer coisas que possivelmente seriam incríveis e que acrescentariam alguma essência a mais nessa história. Coisas que a tornaria mais interessante.

Na carta, está derramado sentimentos que achei que seriam entregues para outra pessoa. Mas sinto que não posso parar, tenho de prosseguir. Já me parei demais. Posso machucar alguém, mas é o risco que se corre. Também posso me machucar, mas é preciso. Tenho de arriscar mesmo que isso desmonte meu peito e o faça arder, é meu dever. Não sinto mais medo de sentir dor. Pode bater o quanto quiser, eu sei que posso aguentar. Talvez até, eu nem perceba o quanto dói.

Ele não sentirá a maciez de meu toque quando a carta for entregue, outras mãos irá levá-la até ele. E não verei o rosto de felicidade ao recebê-la. Mas sei que ficará feliz quando a receber. No momento há de ser assim. Manteremos a distância pelo tempo que for preciso. E acreditaremos que ainda estaremos aqui quando o mesmo passar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pensamento Egoísta

Os braços congelados da noite me abraçam mais uma vez. Não queima, não arde... o vazio tornou-se indiferente. Eles, no momento, não caminham mais do meu lado. Por opção ou por incoerênncia do destino, tanto faz. Só sei que não estão mais aqui. Me sinto completa com a minha própria companhia. Embora seja uma companhia solitária, é a única que possuo nesse instante perpétuo. Logo, torna-se necessidade sentir-me satisfeita ao seu lado.

Não sou mais a menina dos olhos que choram, sou a completa indiferença. Me tornei tão niilista assim? Ou apenas estou perto à ser? A execução dos valores, o estranhamento no olhar, tudo o que tenho. Mas o senso comum ainda me atrai. As belas histórias de amor ainda me dão esperanças. Apesar de não passar de filmes, que reprisam consecutivamente.

O tanto tempo que passou, era pouco. Foi embora, mas a quem devo culpar? Talvez o verbo "culpar" seja apenas um meio que todos usam para se livrar da própria insatisfação. Por não quererem aceitar que tudo é simples demais. E que nunca poderá ser tão intenso como desejam. Pelo fato de não existir eternidade.

Não sou mais a menina de olhos tristes, de expressão frágil mas continuo com o mesmo vocabulário pobre para me expressar. Algumas pessoas encontram uma certa relevância em meus textos, dizem que o nível de reflexão é absurdo. Mas na verdade não é nada demais. Talvez seja porque todos acham complexo demais dizer "Eu perdi!". Ou perceber que não existem certezas, tampouco a verdade.

Por que todos acham que podem me dizer o que é melhor pra mim? Eles nunca poderão ser como eu, pensar como eu, agir como eu. Talvez porque tenham medo. Porque acham errado agir por impulso, mas agir por impulso não quer dizer agir sem pensar. Quer dizer que eu agi porque pensei. Porque eu fiz o que tinha vontade de fazer. Não é pecado seguir meus instintos, ou minha intuição. E não é só porque não consegui o que realmente desejava que foi um erro.

Não gosto do orgulho, não gosto da cautela. Gosto de viver inconstantemente, pois a vida é inconstante... devo caminhar ao lado dela. Pensar como ela, ser como ela. Tirar proveito disso e usar como desculpa, pra dizer que fiz o que tinha de fazer. Devo nadar por cima dela, e não apenas segui-la para ver que rumo ela irá tomar. É perda de tempo.

Não gosto do seguro, o seguro é obscuro. Lhe prega peças. Sempre há buracos neste chão. Gosto de seguir pelo caminho mais difícil, ao menos sempre estarei preparada pois sei que irei tropeçar a qualquer instante. Então paradoxalmente, torna-se seguro. Pois uma pedra é sempre esperada e bem-vinda.

Voltei para o mundo sem cor e ordinário, pode parecer um pensamento egoísta mas me sinto bem dentro dele. Aprendo a lidar comigo mesma, e a dar importância ao que realmente merece tal reconhecimento. Eu, e somente eu. A única fonte de luz de meus dias.

sábado, 31 de julho de 2010

00:10 AM

A sensação de "dever cumprido" ecoa sobre as paredes imaginárias que bloqueiam meu livre acesso ao mundo que construi com as próprias mãos, ao lado daquele cujo me ensinou a amar intensamente. Fiz o que tinha que ter feito, e sinto que se não tivesse feito, outra sensação estaria à me rodear neste momento. Sensação de "trabalho incompleto", de insatisfação. Ao menos estou com a consciência limpa por achar que fiz o que era certo. Embora não tenha conseguido o resultado desejado, porém esperado.

Acho que acabariamos onde estamos de qualquer jeito, e talvez se tivesse sido de outro, o brilho esperançoso em meus olhos não seria o mesmo. Não adianta empurrar algo com a barriga... isso gera apenas frustrações e sempre resulta em comodismo. É como estar preso em algo por medo de arriscar, mas arriscar é o único jeito de saber se vale a pena. E se não arriscar você pode perder justo aquilo que sentia medo de perder. Uma atitude radical mostra o real valor das coisas. O comodismo te consome, ele suga o melhor de cada pessoa e camufla o verdadeiro sentido de tudo aquilo que pode ter uma certa relevância em sua vida.

Embora essa decisão seja dura demais para mim, é preciso ter forças para suportá-la e pensar que isso pode fortalecer o que há tanto tempo andava enfraquecido. Não desistirei, tampouco pararei minha vida. Mas sinto que preciso manter vivo este amor, para que em um futuro próximo possamos tentar novamente. Pois se duas pessoas foram capazes de serem felizes juntas um dia, não é impossível isso voltar a acontecer.

Fomos em direção para o caminho errado. Porém sinto que se um dia tentarmos de novo, poderemos ir para o caminho certo, mesmo que peguemos alguns atalhos pelo caminho errado novamente. Mas saberemos como lidar com as pedras que nos fazem tropeçar, pois já a conhecemos e já sabemos onde cada uma se posiciona. E mesmo que algumas tenham mudado de lugar, não teremos dificuldades em levantar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Você, Amigo

É bom sentir isso de novo... sentir que tenho alguém por perto, torcendo por mim. Alguém sempre pronto à oferecer ajuda. E não importa se algumas pessoas tentarem nos afastar, elas nunca irão conseguir. Porque nós sabemos, estamos juntos em qualquer lugar. Em pensamento e em coração. Para nós, estaremos sempre de mãos dadas.

Morreria por ti, amigo. Sim, eu morreria... pois seus ensinamentos são sagrados. Possuem um valor indecifrável, não há preço que pague. Você, amigo, é uma influência ousada na qual esperei por toda minha vida. Depois de tanto tempo sem entender o senso comum, e tendo dificuldades em compartilhar meus conceitos neste mundo vulgar, posso finalmente me enquandrar em um espaço. Um espaço somente nosso. Estava perdida até você me convidar para entrar.

Finalmente sinto o respeito entre opiniões opostas, e a ligação entre elas. O que antes para mim, parecia ser uma missão impossível, pois para alguns à minha volta isto é inadmissível. Pois se limitam em dizer o que é certo e o que é errado. Mas para nós, não existe "certo" e "errado", e sim teorias. E seguimos as que forem mais convenientes e as que mais coincidir conosco.

Tecemos uma rede de conceitos diversos, e de alguma forma estão entrelaçados. Talvez seja porque quando dividimos ideias, conseguimos nos entender, e nos entendendo conseguimos usar fragmentos das mesmas para reconstruir ou aprimorar nossos conceitos, mesmo sendo eles diferentes. Com isso criamos diversos caminhos à seguir e abrimos diversas portas. E em todas as alternativas dadas por nós mesmos, lá estamos... juntos. O Atraente e o Inevitável. De tão atraente torna-se irresistível, o que pode ser trágico porém inevitável. Estaremos sempre no mesmo caminho.

Precisamos um do outro, e sendo sempre assim, terei a certeza de que não estarei cercada por pessoas com ideias vazias. Sem imaginação, sem ânsia de pensar. Sempre terei o mundo que sempre desejei, e que me faz descomunalmente bem. Ao teu lado, meu amigo... ao teu lado, qualquer lugar é lar.